Três Conselhos

Oi. Tudo bem? Bom, me desculpe, não sei escrever pra crianças, você já deve ter percebido. Também não sei escrever pra adultos, mas gosto muito de escrever, sabia? Por isso comecei este blog, vou treinar todo final de semana e um dia, quem sabe, aprendo a escrever.

Uma coisa que já aprendi, é que quando a gente escreve, a gente precisa imaginar que está no lugar do leitor. Precisa imaginar  aquela voz que lê o texto pra gente, quando a gente lê só com os olhos. Pro texto ficar legal, o som daquela voz tem que ser agradável e, claro, e pro leitor não mudar de site, ela tem que GRITAR de vez em quando! Anote a dica se você também quer ser escritor. Anote mesmo se não quiser ser escritor, você pode mudar de idéia depois. Ou então não anote, se não quiser.

Não sei como é pra você, mas quando eu era criança tinha muita gente me dizendo o que fazer, ou então me dizendo o jeito certo de fazer. ‘As vezes eu fazia o que queriam, às vezes não. ‘As vezes eu fingia que tinha feito o que queriam. E tinha gente que só vivia reclamando da vida, mas sempre vinha me dar conselhos, dizendo o que eu tinha que fazer pra ser feliz quando fosse adulto… daí eu pensava: “se essa pessoa soubesse mesmo como ser feliz, não vivia reclamando da vida” — é óbvio, né? Taí uma boa maneira de escolher os conselhos que a gente escuta: prestar atenção nos resultados.

Outra coisa que sempre me irritava era quando diziam “quando você for adulto, vai entender”. Quando um adulto te diz isso, é porque ele mesmo não sabe a resposta, ou então não quer te explicar.

Tinha gente que estava sempre apressada, querendo que eu começasse logo a namorar, tinha gente que vinha perguntando o que eu queria ser quando crescesse. Eu sempre dizia “cientista”, essas pessoas sempre diziam “médico é melhor”. E daí eu também acabei ficando apressado, queria virar adulto logo pra poder dirigir e ir morar sozinho. E ter uma Ferrari. E as pessoas continuaram me dando força, vinham me apresentar minhas futuras namoradas e me dar livros que me pudessem ajudar a entrar no curso de medicina (não, a Ferrari não, nunca veio). Essa fase teve suas coisas legais, apesar de eu ficar sem graça com as candidatas a namorada — e elas também ficavam sem graça com as situações que tentavam montar pra gente — , eu gostava de alguns dos livros, eles me fizeram querer ser cientista pra acabar com doenças.

Tem vários tipos de cientista: aquele que quer fazer a gente poder viajar pro espaço; aquele que quer que as pessoas se entendam melhor; o que tenta preservar o planeta; o que tenta descobrir mais sobre o nosso passado; o  que tenta aumentar a produção de alimento e muitos, muitos outros… Cada um desses tipos de cientista estuda assuntos diferentes, mas todos querem mudar o mundo. Ou pelo menos queriam na hora de escolher a profissão. 

Eu nunca gostei de hospital. Quanto mais me empurravam pra medicina, mais eu ia pro laboratório. Aliás, vai aqui outra dica: quando alguém perguntar o que você quer ser quando crescer, olhe bem nos olhos da pessoa e diga sem sorrir “médico(a)”. Vão perguntar de que especialidade, diga “cirurgia plástica” (é melhor esperar que perguntem, não chegue já falando tudo). Seja convincente. Deixe passar uns meses, depois escreva um comentário aqui em baixo, dizendo o que você ganhou de Natal e aniversário.

Bom, eu cresci, virei cientista, casei, e agora tenho dois filhos e nenhuma Ferrari. Não dá pra ter uma Ferrari quando a gente tem filhos pequenos, o carrinho de bebê não entra no porta-malas. Também é muito difícil instalar a cadeirinha do bebê no banco de trás da F40. Além do mais, o teto é muito baixo, dá trabalho pra limpar os farelos de biscoito. Por isso acabei deixando a Ferrari pra lá.

Também já não tenho tanta pressa, prefiro minha bicicleta. Claro, na bicicleta não dá pra levar a família toda, mas depois de deixar minha filhinha na creche, vou pedalando tranqüilo até o trabalho. Se estou com vontade, acelero e curto o vento no rosto. Se não, vou devagar pra olhar as pessoas andando, as lojas abrindo, a cidade se aprontando pro dia que começa. E, isso você já deve saber, de bicicleta a gente enxerga muito melhor do que de dentro do carro, mesmo quando está chovendo. No meu trajeto, passo por muitos, muitos carros (até alguma Ferrari de vez em quando), e dentro desses carros tem muitos, muitos motoristas apressados, alguns nervosos, gritam com o carro, gritam com o motorista do carro da frente, que nem pode ouvir, e sempre me dá vontade de dizer pra eles “vem pedalar também!”*. Aí tem gente que diz que não pedala porque tem medo. “É muito perigoso”, dizem, “tem muito louco dirigindo carro”. Isso é verdade. Mas se esses loucos pedalassem de vez em quando, seriam muito mais felizes, e provavelmente menos loucos. Mas eles têm medo e não vêm pedalar.

Perigoso, mesmo, é ter pressa. Pode ver os seus amigos adultos do Facebook, que vivem publicando fotos de brinquedos antigos. Agora eles têm saudade, porque na época tinham pressa como eu. E, pra terminar, como sou adulto, e você, criança, não consigo resistir, preciso te dar conselho. Aliás tenho três: não tenha pressa; controle seus medos; VIVA!.

Para Pedro, Sophie, Henrique, Bruno B, Bia B, Iago, Amanda, Victor, Sietra, Helô, Bia F, Vinícius, Ana Luisa, João Pedro, Gabi, Bruno H… 

*Não esqueça: se você é criança,  pedale só na calçada!

Anúncios

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: