“Antes que um aventureiro lance mão”

Este é apenas um mini-post pra não deixar passar o Sete de Setembro em branco. Como sempre, comecei a escrever sem saber como vou terminar, e na hora do “Google pra ver se nego já não usou esse título”, descubro com muito prazer o texto de Chico Farro, que fez em 2010 o texto que eu só pensei em fazer hoje. O cara publicou antes, fazer o quê. No meu trabalho dizemos “We’ve got scooped” ou então “On s’est fait griller“. Em Português, “se fudemos”. Não sei se concordo com tudo o que ele escreveu, mas ficou melhor do que eu poderia fazer nas minhas 2 horas de blog por semana, e por isso conservei o primeiro título que pensei – que tem outra pontuação, viu, Chico Farro – e mudei o texto.

Minha geração teve aulas de História na época da ditadura militar no Brasil. E quando a ditadura acabou oficialmente, os professores de História já estavam tão traumatizados – ou selecionados – que continuaram passando o mesmo emaranhado de datas e nomes e situações sem nexo e sem explicação clara, mas com conclusões estáticas, ao qual estavam acostumados.

Começa com a “calmaria” que girou a cabeça de Cabral de tal forma que ele acabou indo pro oeste ao invés de ir pro leste. Queria ir pra Bangladesh, acabou na Bahia. Se fosse comigo, minha chefe nunca ia acreditar nessa história.

Pior do que isso era depois, porque a aula sobre o Tratado de Tordesilhas era dada bem depois da aula sobre o Descobrimento, mas mesmo assim volta e meia algum aluninho ou alunhinha perguntava: [voz fina de aluninho]mas como é que o tratado foi assinado em 1494 e o Brasil só foi descoberto em 1500?” – e a gente assistia o professor gaguejar, tentar dizer que veja bem, as coisas não são assim, afinal de contas os Portugueses não eram bobos (só perdiam o senso de direção quando não tinha vento)… etc. enfim.

Bom, nem vou falar das histórias sobre as cores das bandeiras.

O universo é feito de histórias e não de átomos” – Muriel Rukeyser

Daí cresci e finalmente percebi que as histórias – e a História – não param. E que na verdade fazemos parte delas. Das duas. As histórias sobre o Obama que lê e-mails de todo mundo, o Papa que pede demissão, o policial que ataca uma dona de casa com gás de pimenta, e muitas outras, vão se juntando e fazendo a História. E cada vez mais me interesso pelas histórias. Como a do soldado americano que beijou a francesa na liberação de Paris (tem alguns milhares dessas), a do cameraman que filmou a cena, a da agência americana que pagou o cameraman…  coisas assim. As pessoas por trás dos eventos, sabe? E só hoje, meio na correria pra escrever, descubro nomes como Domingos José Martins, alguém que apareceu depois de Joaquim José da Silva Xavier, mas lá em Pernambuco. Aliás, o que me lembro desse Joaquim é que ele achava um abuso o imposto de 20% que os Portugueses cobravam. Melhor mudar de assunto.

E quando me lembro da frase “antes que um aventureiro lance mão“, não consigo evitar de pensar no que seria do meu país natal se um desses aventureiros tivesse conseguido escapar da forca ou da espada… o Brasil teria se dividido como aconteceu com o restante da América do Sul? Seríamos como a Bolívia hoje? Ou como o Uruguai? Ou o Brasil seria uma Europa onde todo mundo falaria mais ou menos Português? Dá pra passar a noite pensando. Mas como dizia um dos (poucos) bons professores de História que tive, é inútil pensar “o que seria”, pois isso não existe em História. Descobrimos e discutimos “o que foi”; planejamos e fazemos “o que será”.

Chico Farro, se você cair neste post um dia, manda um abraço pro pessoal do Caiubi, faz favor.

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