A lenda do professor americano revisitada – tão sem-pé-nem-cabeça como a primeira

Era uma vez um professor de não-interessa-que-matéria que também era diretor numa universidade americana. Logo no começo do ano, ele quis convencer os alunos de que o capitalismo era a melhor maneira de se viver, então implementou um sistema em que as notas eram divididas por igual entre todos, sem importar quem tinha se esforçado mais, porque a cada vez que implantava esse sistema, os alunos estudavam menos, as notas caíam e todos eram reprovados. Percebendo o estratagema, os alunos, que já eram muito unidos desde o ano precedente, estudaram muito e tiraram boas notas na prova do primeiro trimestre. O professor ficou frustrado porque, se continuassem assim, iam acabar provando que sua teoria estava errada.

Para o segundo trimestre o professor impôs que alguns dos alunos, sempre os mesmos, receberiam prêmios aleatoriamente. Um iPhone ali, uma passagem para a Disney lá… o objetivo era fazer os alunos não-premiados detestarem os primeiros, e assim enfraquecer o grupo. Mas os privilegiados dividiam os prêmios com os outros, de forma que no final do segundo trimestre todos tinham ganho algo. Aliás, eles também tiraram boas notas no segundo trimestre. Todos eles.

No terceiro trimestre o professor veio com uma história de separar as cadeiras de alunos dependendo da origem do sobrenome deles. Fez questão de que o Ahmed, a Asma, a Rafika e o Missipsa ficassem na última fila, por exemplo. Mas os alunos, unidos como sempre, trocavam SMS durante a aula, alguns deles usando iPhones que o professor tinha dado aos privilegiados, de forma que a distância não os separou. No final do terceiro trimestre, o professor começou a ficar desesperado porque a tinha dado a prova mais difícil de sua vida e mesmo assim os alunos tinham tirado boas notas. Já estavam sabendo mais sobre a sua matéria do que ele mesmo.

No quarto trimestre o professor entrou no clima do “ou vai ou racha”: teve que estudar muito pra alcançar o nível dos alunos, mas conseguiu. Como ele também era diretor, fez com que a cantina da universidade piorasse muito, parou de cuidar da manutenção dos banheiros, trocou as cadeiras da sala por umas muito velhas com farpas e tudo. Também tirou todos os medicamentos da enfermaria da escola e dispensou os guardas de segurança, de forma que as Ferraris e iPhones dos alunos – que o professor tinha dado aos privilegiados, mas que eles dividiam com os colegas – ficassem à mercê de ladrões, estes vindos de outras salas de aula e de fora da universidade. Os alunos fizeram uma reunião secreta onde ficou decidido que trariam comida e remédios e almofadas de casa, esconderiam seus aparelhos eletrônicos e guardariam seus automóveis em algum lugar seguro. Com isso, o stress do quarto trimestre não os contaminou, estudaram ainda mais e fizeram todos uma ótima prova de final de ano.

Ao chegar em casa, o professor corrigiu as provas e percebeu que seu estratagema não tinha funcionado com esta turma em especial. Por quê? Como podia ser? Todas as turmas anteriores saíram formatadas de acordo com sua vontade, mas não esta. Fuçando na papelada da universidade, ele descobriu que no ano passado esses alunos tiveram um estágio no exterior com um certo professor cubano que ele não conhecia muito bem, que ensinava “interpretação de texto”. O diretor entrou em pânico. Imaginem o que essa turma não faria quando entrasse no mercado de trabalho! Alguns deles se tornariam professores e propagariam esse vírus da seriedade, da divisão de bens e da boa vontade, no final elegeriam bons políticos e estes acabariam construindo boas universidades públicas no país! O que aconteceria com a tradição das universidades de Harvard, Princeton e Yale, que custam quase tão caro quanto um bom colégio particular no Brasil???

Por isso, no dia de entregar as notas, o professor comprou legalmente uma metralhadora e umas 500 balas fura-tanque, entrou na sala de aula e matou todos os alunos.

FIM

Morais da história:

1. Não acredite em tudo que lê, ainda mais quando não há nenhuma referência que você possa usar pra comprovar a informação;

2. Se você acha impossível que os alunos de uma sala inteira se unam, pode ser apenas um sintoma da sua educação capitalista;

3. Se você não consegue descobrir a moral da história sozinho, deve ser muito fácil manipulá-lo (mas por favor não se ofenda, isso é só um toque).

Espero que você que compartilhou a primeira versão da lenda compartilhe esta também!

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